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Porque Devemos Nos Preparar Para O Bloco K

Atualmente, cada um dos profissionais atuantes na indústria deve estar totalmente engajados em diversificar sua atuação. Com as novas tendências das indústrias modernas, profissionais de automação devem se aprimorar em Tecnologia de Informação, Engenharia de Produção e até mesmo nos assuntos fiscais e contábeis.

Com a integração dos vários níveis da pirâmide de automação, o chão de fábrica, além de cumprir sua tarefa mais primitiva que é produzir, precisa ser capaz de enviar dados consistentes de produção e análise de performance para os mais altos níveis corporativos. Ou seja, o PLC deve se comunicar com o SCADA e eventualmente com um sistema MES que por sua vez se comunica com o ERP para que esses dados sejam usados com inteligência dentro da empresa.

MAS O QUE TRAZ ESTA MOTIVAÇÃO NOS DIAS DE HOJE?

Todas as indústrias deverão se incluir no chamado Bloco K do SPED, que consiste em um livro digital de controle de produção e estoque e deverá, a princípio, ser transmitido para a Receita Federal uma vez ao mês e posteriormente, em tempo real.

Os prazos para esta implementação foram postergados por mais um ano devido à dificuldade que as indústrias encontraram de se adequar à esta demanda e agora são:

  • 1 de Janeiro de 2017 para empresas com faturamento anual igual ou superior a R$ 300.000.000,00;
  • 1 de Janeiro de 2018 para empresas com faturamento anual igual ou superior a R$ 78.000.000,00;
  • 1 de Janeiro de 2019 para os demais estabelecimentos industriais.

A Receita Federal tem como objetivo acabar com a sonegação, mas neste processo, indústrias idôneas que não possuem um controle preciso de produção e estoque também serão afetadas. A não implementação do Bloco K terá como consequência a aplicação de multas e até a suspensão de serviços como emissão de nota fiscal eletrônica.
O bloco K é parte do SPED que é a sigla para sistema público de escrituração digital e consiste na modernização do cumprimento das obrigações transmitidas pelos contribuintes às administrações tributárias e aos órgãos fiscalizadores.

O SPED é composto por cinco grandes subprojetos:

  •  NF-e – nota fiscal eletrônica;
  •  CT-e – conhecimento de transporte eletrônico;
  • EFD – escrituração fiscal digital;
  • ECD – escrituração contábil digital;
  • NFS-e – nota fiscal de serviços eletrônica.

Dentro do EFD estão diversos blocos de informações e também o Bloco K:

  • Bloco C – documentos fiscais I – mercadorias (ICMS/IPI), obrigatório desde janeiro de 2012;
  • Bloco D – documentos fiscais II – serviços (ICMS), obrigatório desde janeiro de 2012;
  • Bloco E – apuração do ICMS e do IPI, obrigatório desde janeiro de 2012;
  • Bloco G – controle de crédito de ICMS do ativo permanente (CIAP), obrigatório desde janeiro de 2011;
  • Bloco H – inventário físico, obrigatório desde janeiro de 2012 em SP;
  • Bloco K – livro de registro de controle da produção e do estoque, obrigatório a partir de janeiro de 2016 até janeiro de 2018 (depende do tipo de indústria)

As informações referentes ao processo produtivo requeridas no Bloco K são:

  • Quantidade produzida
  • Quantidade de materiais consumida
  • Quantidade produzida em terceiros
  • Quantidade de materiais consumida na produção de terceiros
  • Movimentações internas de estoque
  • Posição de estoque de todos os materiais acabados, semiacabados e matérias primas.
  • Lista de materiais padrão de todos os produtos fabricados.

Olhando para algumas informações necessárias podemos ver que determinadas alterações no sistema ERP ou em um eventual sistema MES presente e na integração de ambos podem atende-las.
Porém, a realidade das indústrias de nosso país hoje não contempla uma integração do chão de fábrica com o nível corporativo, muitas das grandes indústrias sequer possuem um sistema MES que seria a chave para efetuar esta integração e a total rastreabilidade do sistema produtivo.

As máquinas, em diversas indústrias são stand alone, ou seja, não possuem nenhuma integração entre elas dentro de uma mesma linha e as entradas de pedidos de produção são completamente manuais, bem como a contagem de produção e medidas de performance (quando existem).

Do ponto de vista da automação pode-se a afirmar que o processo para implementação do bloco K, que requer que esta integração seja feita, irá movimentar muitos projetos. Equipamentos de controle com interfaces simples para sistemas superiores que possibilitem uma comunicação simplificada serão peças-chave para disponibilizar dados para um sistema MES ou para um sistema ERP.
Estes equipamentos de controle flexíveis consistem principalmente em PLCs com redes de campo baseadas em Ethernet, blocos de comunicações com bancos de dados ou até mesmo a possibilidade de serem estações de cole- tas de dados de MES e controladores industriais no mesmo hardware como os PCs Industriais.

Portanto, hoje a automação quebra as barreiras do chão de fábrica subindo diversos níveis, o que faz com que o profissional de automação que atua em campo esteja mais atento à diversas tendências em áreas de atuação diversas dentro da indústria. No caso dos requerimentos em torno do bloco K, o aumento do conhecimento em sistemas de gerenciamento de produção, tecnologia de informação e alguns conceitos fiscais é imprescindível.

 

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